Indicações na advocacia nascem de bom atendimento, comunicação clara e relacionamento com colegas de outras áreas, e não de pedidos insistentes ou incentivos. Dentro das regras da OAB, o advogado pode se tornar conhecido pelo trabalho, manter contato profissional e firmar parcerias técnicas, sem captar clientela nem oferecer vantagens por indicação.
Por que a indicação é tão relevante na advocacia?
O cliente de um escritório raramente escolhe o advogado por impulso. Ele costuma conversar com conhecidos, perguntar a quem já passou por uma situação semelhante ou receber o nome de um profissional de confiança. Por isso a indicação continua sendo um dos caminhos mais comuns para chegar a novos casos.
Ao mesmo tempo, a advocacia tem regras próprias de publicidade. O Código de Ética e Disciplina da OAB e o Provimento 205/2021 tratam de captação de clientela e de divulgação. Antes de qualquer ação, consulte as normas atualizadas e, em caso de dúvida, a seccional da OAB ou a comissão de ética.
O que a OAB não permite ao buscar indicações?
A regra geral é que a divulgação deve ser discreta e informativa, sem mercantilização e sem captação ativa de clientes. Isso afeta diretamente como o advogado pensa em indicação.
- Não oferecer desconto, brinde ou vantagem para quem indicar o escritório.
- Não abordar pessoas em situação de vulnerabilidade, como acidentes ou hospitais, para oferecer serviços.
- Não prometer resultado nem garantir êxito em causa alguma.
- Não divulgar valores de honorários como chamariz ou fazer promoções.
- Não pagar comissão a quem encaminha casos que não seja advogado ou sócio.
Como o atendimento gera indicação de forma natural?
A indicação mais sólida é consequência de uma experiência clara. O cliente que entendeu o andamento do processo, recebeu retorno em prazo razoável e foi tratado com respeito tende a falar bem do escritório quando alguém pergunta. Nada disso exige pedido explícito.
Vale cuidar dos detalhes que o cliente percebe: resposta objetiva às mensagens, explicação sem excesso de termos jurídicos, honestidade sobre riscos e prazos, e encerramento organizado do caso. Veja como comunicar o andamento do processo com clareza e ética para melhorar essa parte da experiência.
Como construir parcerias com colegas de outras áreas?
Nenhum advogado atende bem todas as áreas. Um especialista em direito de família costuma conhecer alguém de previdenciário, trabalhista ou empresarial, e o cliente se beneficia quando o encaminhamento é feito com critério. Essa troca entre colegas é prática antiga e legítima, desde que feita com transparência e sem repasse indevido de honorários.
- Liste as áreas que complementam a sua e que aparecem com frequência nas conversas com clientes.
- Procure colegas dessas áreas em eventos da OAB, comissões, cursos e grupos profissionais.
- Converse sobre como cada um trabalha, em quais casos atua e como prefere receber encaminhamentos.
- Combine por escrito a forma de comunicação e o respeito à autonomia de cada escritório.
- Ao encaminhar, explique ao cliente o motivo e deixe claro que ele escolhe quem contratar.
Como se tornar conhecido sem violar as regras?
A presença discreta e informativa é aceita: artigos, palestras, participação em comissões e conteúdo educativo sobre direitos, sem apelo comercial. O objetivo é que colegas e o público saibam quem você é e em que área atua, sem chamar de forma direta para a contratação.
Um perfil organizado no Google e um site com informações básicas ajudam quem recebeu o seu nome por indicação a conferir o escritório. Veja o que a norma permite em marketing para advogados e o que a OAB permite antes de publicar qualquer material.
Como manter o relacionamento depois que o caso termina?
Encerrar bem o caso é parte do relacionamento. Entregue os documentos finais, explique se há obrigações pendentes e deixe o canal aberto caso o cliente precise de esclarecimentos futuros. Evite mensagens em massa com cara de propaganda.
Com colegas, o mesmo vale: agradecer o encaminhamento, informar o resultado de forma geral (respeitando o sigilo profissional) e manter contato em eventos e em encontros da subseção. Relacionamento é construído em anos, não em campanhas, e o sigilo do cliente nunca deve ser exposto para ilustrar uma parceria.
Perguntas frequentes
Posso pedir diretamente que um cliente me indique?
Agradecer e deixar claro que está à disposição é aceitável. Insistir, pressionar ou oferecer vantagem em troca pode ser considerado captação de clientela. Consulte as normas da OAB.
Posso dividir honorários com um colega que me indicou um caso?
Parcerias entre advogados são possíveis, mas o repasse de honorários segue regras específicas. Confirme no Código de Ética e com a seccional da OAB antes de combinar qualquer coisa.
Depoimentos de clientes podem ser usados?
Em geral, divulgar depoimentos e resultados de causas é restrito pela OAB e pelo sigilo profissional. Verifique as normas antes de publicar qualquer relato.
Quem pode me ajudar a tirar dúvidas sobre publicidade?
A comissão de ética da sua seccional da OAB. Ela pode orientar sobre o que é permitido na divulgação e no relacionamento profissional.
